Início Brasil Ex-ministro da Saúde atenta para o uso intenso da cloroquina

Ex-ministro da Saúde atenta para o uso intenso da cloroquina

Para Mandetta, a pressão pelo uso do remédio é uma tentativa de estimular a volta da normalidade.

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Em entrevista concedida à Folha de São Paulo, o ex-ministro da Saúde, Henrique Mandetta, afirmou que o uso da cloroquina ampliado em pacientes com Covid-19 pode levar a mortes por arritmia em casa e gerar uma procura maior por vagas em hospitais.

“Começaram a testar pelos casos graves da covid-19 que estão nos hospitais. Do que sei dos estudos que me informaram e não concluíram, 33% dos pacientes em hospital, monitorados com eletrocardiograma contínuo, tiveram que suspender o uso da cloroquina porque deu arritmia que poderia levar a parada cardíaca” – Contou Mandetta.

Na opinião de Mandetta, a pressão por parte do presidente Jair Bolsonaro pelo uso do medicamento que não tem 100% de eficácia comprovada é uma tentativa de estimular o retorno da população ao trabalho, num momento em que o país está passando apenas pelo início da crise sanitária.

“A ideia de dar a cloroquina é que, se tiver um remédio para a covid-19, as pessoas voltam ao trabalho. É uma coisa para tranquilizar, para fazer voltar sem tanto peso na consciência. Se tivesse lógica de assistência, isso teria partido das sociedades de especialidades. Por isso não tem gente séria que defenda um medicamento agora como panaceia.” – concluiu o médico.

Henrique Mandetta deixou o Ministério da Saúde no dia 17 de abril, após pedir demissão do cargo. Ele e Bolsonaro apresentavam divergências em relação às medidas que deveriam ser adotadas para combater o coronavírus.

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